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O dia 9 de Julho

O dia 9 de Julho acorda alegria e descontração:
O Girassol desfralda sua bandeira: é seu dia de celebração.
Troca de energia, tertúlia vadia, requinte rural;
A fragância da roça anuncia: bom tempo, bons ventos, folia.

A força desta bandeira acende a chama festeira
É o traço de união.
Oxum das cachoeiras, tótem das galombeiras,
Axé no vinho e no pão.
O dia 9 de julho é ecologia, é verde paixão.
Momentos de pura beleza é o Girassol no seio da natureza.

Canto meu ensimesmado
Minha sina musical é um som ensimesmado
Com Pitadas de ironia
Recolhido no meu quarto, toco, canto, encho o saco
Experimentando harmonias
O som vem por um instante, um tanto quanto excitante
Com a mais crua poesia.
Sai pra fora canto meu ensimesmado
Liberte este som aprisionado
O meu sangue sergipano
Tem a fibra sertaneja

E o canto dos ciganos
O meu sangue lusitano tem a saga do imigrante
Que cruzou o oceano
Bebi na fonte dos tebanos
N
o talento dos baianos Gil, Raul e Caetano.
Sai pra fora canto meu ensimesmado
Liberte este som aprisionado

Quando moço fui bem fundo, fui rebelde e debochado

Bicho-grilo, vagabundo
Não ligava para o tempo, ia em frente com o vento
Fui Geraldo Viramundo
Mas vi meu lado aventureiro recolher-se por inteiro
E render-se acomodado.

Chute no Traseiro

Risível: é o cara que pensa
que está acima do bem e do mal
posando de dono da verdade
só fala inverdades
ele é ruim, recalcado, mal amado
um chato na comunidade

Terceiro mundista revoltado
um falso moralista, antiquado
só pensa em seus projetos pessoais
ele é o bom entre os boçais
contraditório, egoísta, oportunista
um sádico facista

Pilantra: ele é assim por inteiro
Careta: não apareça em meu terreiro
pois o meu rock é como um chute no traseiro
pois o meu rock é como um chute no traseiro

Fã Clube
No fundo de seus olhos
Eu vou fundo mergulhar
Bagunçar sua cabeça
E no seu corpo vadiar
No céu da sua boca
Homem-Pássaro voar
Nos seus lábios de me
l
Eu vou todo lambuzar

Ah, paixão, governa os sentidos
Me tira a razão
Sou seu fã, cada vez mais atrevido
Em seu plano de ação

Na fonte do prazer
Quero a sede saciar
No ar de sua graça
Como pluma flutuar
Embrenhar nos seus cabelos
Pra ninguém me encontrar
Roçar nas suas pernas
Como um gato angorá

Nas covas do sorriso
Alegria semear
Ao pé do seu ouvido
Lindos versos vou cantar
Nas curvas dos quadris
Derrapar bem devagar
Nas bordas do umbigo
Vou parar pra descansar

Marcação Cerrada
Pra traz
não avance esta linha
vê se não me aporrinha
contenha-se mais
este jogo é fugaz
não me provoque demais.

Pra traz
com a velha ladainha
pra me apoquentar
assumindo uma linha
antiquada e mesquinha
que não vou tolerar.

Eu não vejo a hora de gritar
contra este modo sujo de jogar
que até me dá vontade de xingar
pois não aguento este sarro de lascar.

Pra Traz
livro da marcação
e pro meu desafogo
entro duro no jogo
e na indecisão
lhe jogo no chão.

Mineira Gostosa
Protegida pelos contrafortes
Das altas montanhas de Minas
Driblando o tempo, de maneira ladina
Ainda parece menina

Isto é Leopoldina, sonora verdade
Mineira Gostosa, minha cidade

De longe seus filhos lhe amam
De perto seus filhos reclamam
Condenam sua vida tão calma
Mas lhe querem no fundo da alma

Centenária vaidade, retendo o tempo
Sentindo saudades, seus melhores momentos
Águas passadas já são gotas de chuva
Filosofia de estrada, vã literatura
De rimas quebradas

Rebuscando suas velhas histórias
Era apenas um pontinho no mapa
Mais verde, mais culta, pacata
Athenas da Zona da Mata

Alienada em função do futuro
O ócio desprende do gênio
Da bela da Mata que espera no escuro
A luz do terceiro milênio

Moça Mimosa
Moça mimosa da face rosada
Misteriosa, encabulada
Tem o sol nos cabelos, o céu no olhar
Um jeito brejeiro no modo de andar
A força que encerra o sorriso dela
Pode amenizar as tristezas da terra

No canto perdido da praia deserta
Eu a vi banhada de sol
Sua imagem gravou na minha mente
Como um sonho colorido

Vestia um simples vestido de chita
Uma rosa no colo, como estava bonita
Os fios dourados de seus cabelos
Refletem em toda cerveja que eu bebo
O lindo azul de seus olhos molhados
Estão espelhados na água em que eu nado

Fitando seus olhos fui capaz
De definir o sentido da Paz

Morro do Cruzeiro
Neste pedaço de serra
O mundo é bem diferente
Aqui eu vivo sempre contente
E a vida é pura e natural
Sua paz envolvente
Me faz bem consciente
De viver longe do mal

Vivendo com os animais
Dentro do meu quintal
Em contato permanente
Com as coisas reais
Plantando e colhendo
Frutos naturais

Deixe os traumas lá embaixo
E suba o Morro do Cruzeiro
Vem ouvir o seu silêncio
Este meu velho companheiro

Situado no ponto culminante
Vejo o sol nascendo e se pondo
Por trás da linha do horizonte
Lá embaixo, no vale que aparece
Vejo apertada entre as colinas
Minha pequena Leopoldina

O Pontilhão
Um céu azul
Margens do Rio Pomba
Nossa bandeira
Dança ao vento sul
Em seu refúgio
Sempre bem verdozo
Num Cici's Day
Do Girassol Maravilhoso

Verde bandeira
Verde limão
Mas o verde é verdura
Ao lado do Pontilhão

Um RG embala essas tardes
Tocando fitas com fidelidade
Um show a parte é a loura Bohêmia
Mais saborosa longe da cidade

Guardião de ferro
Cruza o leito do rio
É a mão do homem
A vencer desafios
É pano de fundo
De um cenário tão belo
Cercado de verde,
De azul,
E amarelo.

O que já foi
O que já foi
livre e excitante
O que já foi
vergel luxuriante
O que já foi
brinquedo de menino
O que já foi
água cristalina

Desapareceu

O que já foi
vida vegetal
O que já foi
reino animal
O que já foi
flores naturais
O que já foi
fontes minerais

Desapareceu

O que já foi
pura natureza
O que já foi
belo majestoso
O que já foi
simples saboroso
O que já foi
sólida beleza

Desapareceu

Somos Todos B.Goode
Viva a nossa geração
Viva a nossa geração
Tão combatida, malhada, maldita
Por ter lançado o Rock no mundo
Rompendo velhas tradições
Impondo novas condições
Sonora rebelião
Foi nossa revolução musical...

Ainda temos bala na agulha
Que tanto bate até que fura
Agora que o Rock já é parte da história
Ninguém se acomoda, ninguém canta vitória
Nós somos roqueiros sem glórias
Rebeldes que cantam o canto da escória
Nós somos roqueiros sem glórias
Mas somos todos B.Goode

Com muita quilometragem
Muita estrada, muita bagagem
Tabus já não existem pra vocês
Os tempos são outros, mudaram de vez
Nós somos roqueiros sem glórias
Rebeldes que cantam o canto da escória
Nós somos roqueiros sem glórias
Mas somos todos B.Goode

Tributo à Preguiça
Mar... coqueiro verde
vento soprando
cada um em sua rede cochilando

Sombra... e água fresca
vento soprando
cada um em sua rede cochilando
cada um em sua rede cochilando

Como é bom... como é bom... como é bom
cada um rendendo o seu tributo à preguiça
cada um rendendo o seu tributo à preguiça

Vá Pro Lado Que Ventar
Vá em frente jovem
Vá ao sabor do vento
Aproveite o seu tempo
Tempo perdido não volta mais

Quando parar pra descançar
Não pense, nem se oriente
Esvazie sua mente
E vá pro lado que ventar

Vista Alegre Blues
Se você anda nervoso
Da cidade desgostoso
E saudoso de um apito de trem
Vá ao encontro do passado
Que se acha preservado
Num lugar, não muito além
Se você está triste: Vista Alegre
Abandone esta tristeza
E sorria quando vir a estação
O trem demora pra passar
Aproveita e conheça o lugar
Atravesse a ponte de metal
E saque o visual
Cadeiras nas calçadas
Defronte às fachadas tradicionais
As crianças são criadas
Às sombras de velhos quintais
Pegue um peixe, jogue futebol
Ou tome um banho de sol
À noite uma batida
E uma muqueca no bar do Tineca
Partidas de sinuca
Com cervejas em disputas
Na catimba e na gozação
Depois descole uma menina
E bata um papo no portão